Para trocar uma frase no meu site, eu levava quinze minutos.
Editar o arquivo, subir a alteração, esperar a publicação, torcer pra nada quebrar. Tudo isso pra mudar uma palavra. Um dia parei no meio desse processo e me toquei de uma incoerência: eu escrevo que a IA mudou a forma de construir, que dá pra sair do prompt e chegar no produto. Mas o meu próprio site dependia de um fluxo de programador pra trocar uma vírgula.
Então construí outro. Este aqui que você está lendo.
A ideia: um currículo que está vivo
Currículo é documento morto. Você escreve, congela num PDF e ele já nasce desatualizado. Eu não queria isso. Queria um lugar onde adiciono uma experiência, publico um projeto ou corrijo um texto e está no ar em segundos, sem ninguém no meio do caminho.
Um "WordPress pessoal", só que meu. Do jeito que eu preciso, sem depender da ferramenta de ninguém.
E tinha um motivo a mais, talvez o principal. Eu falo de IA aplicada e de construir produto o tempo todo. Se o meu site não fosse prova disso, seria só mais uma promessa. E promessa eu já vi demais.
Os desafios
Quando você abre o capô é que a coisa fica interessante.
Construir ou comprar. Existem ferramentas prontas de sobra. Escolhi construir do zero, e não por teimosia: por controle. Quando o sistema é seu, você não fica refém do roadmap de ninguém, e cada decisão vira aprendizado que eu levo pra mesa no dia seguinte.
Editar tem que ser instantâneo. Coloquei um banco de dados de verdade por trás de tudo. Mudou, apareceu. Parece detalhe técnico, mas é o que separa uma ferramenta que você usa de uma que você evita. Inclusive eu.
Eu não escrevo em código. Exigi um editor visual de verdade, com barra de formatação e imagem que entra arrastando, não colando link. Se publicar é chato, ninguém publica.
A parte que mais me orgulha. O sistema se monta sozinho. Em vez de programar cada tela na mão, descrevo cada seção numa única lista de campos e o painel inteiro se constrói a partir dali. Na prática: o que levaria um dia pra adicionar agora leva minutos. É isso que vai deixar esse sistema replicável, e um dia, vendável.
E teve um momento que resume a tese inteira que eu defendo. Na hora de reescrever o conteúdo, a IA fez um trabalho rápido e bem-feito. Mas ela quer te deixar impressionante: puxa todo número, todo resultado, tudo que brilha. Parte do meu trabalho foi cortar. O que não se publica, por discrição ou por respeito a quem confiou em você, a IA não tem como saber. Ela escreve. Decidir o que fica de fora é método. E método é humano.
O que vem por aí
Isso aqui é o começo. O plano já está desenhado:
- Uma biblioteca de mídia, pra subir um arquivo uma vez e reusar em todo lugar.
- Um editor de páginas em blocos, pra montar a home como quem encaixa peças, sem tocar em código.
- Tema editável: trocar cor, fonte e logo sem abrir um arquivo sequer.
- E a parte que mais me anima: ligar IA nos lugares certos. Um painel de acessos que não só mostra o que aconteceu, mas sugere o que escrever. E um estúdio que pega um conteúdo qualquer (um post, um projeto, a própria evolução deste site) e devolve as peças prontas pra LinkedIn e Instagram.
O pulo do gato é que a base já foi feita pra receber tudo isso. Cada recurso novo entra sem reconstruir o que já existe.
O ponto
Eu não construí esse site porque sou programador. Não sou. Construí porque parei de aceitar "não dá" como resposta.
A ferramenta de hoje deixa um gestor de marketing colocar de pé o que ontem dependia de um time inteiro de tecnologia. Então a pergunta mudou. Não é mais se você consegue construir. É se você tem método pra usar isso direito.
Vou documentar cada passo dessa construção por aqui. Este foi o primeiro.