Tem uma diferença entre pedir pra uma IA escrever um post e construir um sistema que escreve no seu tom, monta a arte na sua marca e ainda entrega o material no direct de quem comentar. A primeira parte virou commodity. A segunda é onde mora o trabalho. Foi o que montei nas últimas noites, dentro do meu próprio site, e quero abrir o capô.
Por que uma máquina, e não um prompt
Marketing operado no susto é o que eu mais critico. Não fazia sentido eu produzir conteúdo no susto. A ideia foi inverter: uma pauta por semana, três formatos saindo dela (um post de LinkedIn, um carrossel e um reel), tudo num calendário editorial de 52 semanas. O sistema sabe a semana atual, sabe a referência que ancora o tema e sabe a palavra que dispara a automação no Instagram. O que era um caderno de ideias virou esteira.
A peça central é simples de descrever e chata de fazer: da pauta ao texto pronto pra publicar, sem eu reescrever do zero toda vez.
Fazer a IA escrever no meu tom
Qualquer modelo escreve um texto correto. O problema é que texto correto de IA tem sotaque. Travessão demais, trio de adjetivos, o gerúndio de profundidade falsa, a frase motivacional no fim. Se eu publicasse isso, todo mundo ia sentir o cheiro.
Então a geração não termina no modelo. Ela passa por um filtro. Primeiro, um perfil que descreve a minha voz com regras explícitas do que é proibido. Depois, um pós-processamento determinístico que mata o que sobrou, com atenção especial ao travessão, que é a impressão digital número um de texto gerado. O modelo sugere, o filtro corrige, e só então o texto chega em mim. Levou três rodadas pra acertar. Nas duas primeiras, ainda escapava clichê.
A imagem na minha marca: referência não é colar a foto
A parte visual foi a que mais me ensinou. Eu queria que a capa de cada carrossel fosse uma imagem nova, gerada na hora, mas dentro da minha identidade. Tentei de três jeitos.
No primeiro, o sistema colava a foto que eu escolhia no fundo. Errado, isso é papel de parede, não geração. No segundo, a IA criava a partir de uma descrição em texto do estilo. Melhor, porém genérico. No terceiro, que é o que ficou, eu mando a foto de referência pra IA e peço uma cena nova no mesmo estilo. Ela olha a luz, a cor, o clima e a composição e cria outra coisa parecida no espírito, não uma cópia.
O detalhe que quase me derrubou: eu tinha escrito no comando, sem perceber, a instrução de manter tudo em preto e branco. Quando mandei uma referência colorida, a IA descartava a cor e devolvia P&B. Era um bug meu, de uma linha. Tirei a trava e a referência passou a mandar de verdade, na cor e na luz. Por cima de cada imagem entra a marca, renderizada no próprio servidor: a faixa lime, o título, a assinatura. Sem navegador, direto na função.
A parte que vira seguidor
Conteúdo sem captura é entretenimento. Como por enquanto eu não tenho nada pra vender, a meta é direta: crescer audiência e me posicionar. Então a automação de comentário não empurra produto, ela entrega valor. Quem comenta a palavra da semana recebe dois directs: um pedido de interação, que o algoritmo premia, e um diagnóstico de verdade, no meu método, com um convite leve pra seguir. A IA me ajuda a escrever escreve os dois, no meu tom, a partir do conteúdo do post.
A noite em que o site "caiu" (e não tinha caído)
No meio da construção, o site parou de abrir pra mim. Parecia desastre. Não era. O servidor respondia normalmente pra quem estava de fora. O problema estava no caminho entre a minha máquina e a hospedagem, numa faixa de IP nova que entregava endereços mortos pra quem perguntava do Brasil. A correção foi no DNS, apontando o domínio pra faixa estável. Anoto a lição porque ela vale fora da tecnologia: antes de assumir que algo quebrou, cheque se o problema é o sistema ou só a sua janela pra ele.
O que vem por aí
Falta medir resultado de forma automática, ligar com tráfego pago quando fizer sentido, e a parte mais difícil de todas, que não é código: a constância. A máquina está pronta. Agora é alimentar ela toda semana. Este texto, aliás, foi o primeiro teste dela em modo bastidor.